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Por trás da desmotivação de funcionários nas empresas, está um problema que poucos líderes enxergam

01 de abril de 2026
Exame

Mesmo em um cenário em que a maioria dos profissionais declara estar satisfeita com seus empregos, empresas seguem enfrentando dificuldades para engajar e reter talentos.

Um dos principais fatores por trás desse paradoxo está na atuação das lideranças. Mais do que salário ou cargo, a forma como gestores conduzem equipes tem impacto direto na motivação e no desempenho dos colaboradores.

 

Satisfação não significa engajamento

Dados recentes ajudam a explicar esse desalinhamento dentro das organizações.

Segundo levantamento da Pluxee, realizado em 2026, 80% dos trabalhadores afirmam estar satisfeitos com seus empregos atuais. No entanto, 44% dizem que suas habilidades não são plenamente aproveitadas e que gostariam de assumir desafios maiores.

O contraste revela um problema estrutural. A satisfação isolada não garante engajamento nem produtividade. Profissionais podem permanecer em seus cargos, mas desconectados do propósito e do crescimento dentro da empresa.

 

Liderança despreparada impacta resultados e retenção

Para Tatiana Marzullo, fundadora e CEO da Agência A+ e especialista em liderança, o problema não está na falta de conhecimento técnico dos gestores, mas na dificuldade em lidar com pessoas.

Segundo ela, muitas lideranças ainda não desenvolveram habilidades essenciais de comunicação, escuta e desenvolvimento de equipes. “Liderança não tem relação apenas com metas e resultados, mas com pessoas, histórias, emoções e desenvolvimento”, afirma.

Com mais de 27 anos de experiência em gestão, Tatiana defende que empresas sustentáveis são construídas a partir de ambientes onde os profissionais se sentem valorizados e parte do negócio.

 

Um erro de comunicação que mudou uma liderança

A percepção sobre o impacto da liderança não veio apenas da teoria. Um episódio vivido dentro da própria empresa foi determinante para a mudança na forma de gestão de Tatiana.

Ao tentar incentivar uma colaboradora que enfrentava dificuldades, a empresária afirmou que ela apresentava bons resultados quando queria. A intenção era motivar, mas a interpretação foi diferente. A profissional entendeu que não estava se esforçando o suficiente.

O episódio levou a uma revisão de postura. Após receber o feedback, Tatiana pediu desculpas e ajustou sua comunicação. A mudança teve efeito direto no desenvolvimento da colaboradora, que hoje ocupa posição de liderança na empresa.

“Aquilo me ensinou que liderar é aprender o tempo todo e que comunicação exige cuidado, porque cada pessoa escuta a partir da sua própria história”, afirma.

 

Cultura organizacional e liderança caminham juntas

A experiência prática também influenciou a criação do Programa Salto Alto, iniciativa voltada ao desenvolvimento de lideranças femininas. A imersão leva executivas a empresas globais como Disney, Starbucks, Apple e Marriott, permitindo contato direto com culturas organizacionais estruturadas.

A partir dessas experiências, Tatiana identificou um padrão recorrente. Empresas com resultados consistentes costumam ter lideranças mais humanas, comunicação clara e foco no desenvolvimento contínuo das pessoas.

 

Os erros mais comuns que comprometem equipes

Com base em sua trajetória, a especialista mapeou falhas recorrentes que impactam diretamente o desempenho das equipes e o ambiente organizacional.

Entre os principais pontos estão a crença de que salário é suficiente para engajar, a falta de escuta ativa e a tendência de procurar a equipe apenas em momentos de erro. Também se destacam a ausência de reconhecimento, a dificuldade em desenvolver talentos e a comunicação pouco clara sobre os rumos da empresa.

Outro erro frequente está na tentativa de tratar todos os profissionais da mesma forma, desconsiderando diferenças individuais, motivações e contextos pessoais.

 

O impacto direto na performance das empresas

Essas falhas não afetam apenas o clima organizacional, mas também os resultados financeiros e estratégicos das empresas. Equipes desmotivadas tendem a apresentar menor produtividade, maior rotatividade e menor capacidade de inovação.

A liderança, nesse cenário, deixa de ser apenas um papel operacional e passa a ser um fator determinante para o crescimento sustentável das organizações.

 

Liderar passa a ser uma habilidade estratégica

O cenário atual exige uma mudança na forma como a liderança é compreendida dentro das empresas. Mais do que cobrar resultados, gestores precisam desenvolver pessoas, criar ambientes de confiança e alinhar expectativas.

“Quando a equipe cresce, a empresa cresce junto. O resultado é consequência de um time engajado, respeitado e que entende o seu papel dentro do negócio”, afirma Tatiana.

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